Jogos custam a partir de R$ 6 e podem ser feitos nas lotéricas ou online até as 22h de 31 de dezembro; prêmio não acumula
Os brasileiros já podem concorrer ao prêmio
da Mega da Virada 2026, que tem previsão de ultrapassar R$ 1 bilhão. As apostas para o concurso especial começaram nesta terça-feira (3/11) e poderão ser registradas até as 22h de 31 de dezembro. O sorteio está programado para as 11h de 1º de janeiro de 2027.
A expectativa é de que a premiação mantenha o patamar alcançado na edição anterior, quando o valor inicialmente previsto foi superado ao longo do período de apostas. Em 2025, a estimativa era de R$ 850 milhões, mas o concurso acabou distribuindo R$ 1,09 bilhão, o maior prêmio já registrado na história da Mega da Virada.!
Na ocasião, seis apostas acertaram as dezenas sorteadas e dividiram o montante. Cada uma recebeu mais de R$ 181,8 milhões.
Para participar da edição deste ano, o apostador precisa escolher pelo menos seis números entre as 60 dezenas disponíveis. A aposta simples custa R$ 6, mas é possível selecionar mais números no mesmo volante, com aumento proporcional no valor a ser pago.
Também existe a opção “Surpresinha”, que permite deixar a escolha das dezenas por conta do próprio sistema, sem a necessidade de selecionar manualmente os números.
Prêmio não fica acumulado
Embora siga as regras tradicionais da Mega-Sena, a Mega da Virada tem uma característica que a diferencia dos concursos regulares: a premiação principal não acumula para outro sorteio.
Isso significa que, se nenhuma aposta acertar as seis dezenas, o valor reservado ao prêmio principal será destinado aos participantes que tiverem cinco acertos, conhecidos como ganhadores da quina. Caso também não haja vencedores nessa categoria, os recursos serão distribuídos entre aqueles que acertarem quatro números, na faixa da quadra.
Os interessados podem participar presencialmente, em uma das mais de 13 mil casas lotéricas da Caixa Econômica Federal espalhadas pelo Brasil, ou utilizar os canais digitais da instituição.
Pela internet, é necessário ter pelo menos 18 anos e possuir um CPF válido. O cadastro pode ser realizado tanto no portal Loterias Caixa (clique para acessar) quanto no aplicativo oficial, disponível para dispositivos Android e iOS. Clientes da Caixa também contam com a possibilidade de registrar os jogos por meio do internet banking.
No site, o procedimento começa com a identificação do usuário ou a criação de uma conta, caso seja o primeiro acesso. Depois, basta localizar a Mega da Virada entre as modalidades disponíveis e preencher o volante virtual com as dezenas desejadas.
Leia também: Semana da Mega-Sena movimenta lotéricas no DF
Quem não quiser escolher os números pode utilizar a “Surpresinha”. Também é possível adquirir cotas de bolões disponíveis na plataforma.
Após definir os jogos, o apostador deve acessar o carrinho, localizado na parte superior direita da página, conferir as seleções e concluir a compra. O pagamento pode ser feito por cartão de crédito ou Pix.
O procedimento pelo aplicativo é semelhante. Depois de instalar o Loterias Caixa pela Play Store (link aqui) ou App Store, o usuário precisa entrar na conta ou realizar seu cadastro. Em seguida, deve selecionar a Mega da Virada, preencher a aposta manualmente ou utilizar a escolha automática de números e acessar o carrinho, localizado na parte inferior da tela, para efetuar o pagamento.
No aplicativo, há uma exigência adicional: o apostador precisa estar fisicamente no Brasil. A plataforma utiliza a localização do dispositivo para verificar se o usuário está em território nacional, uma vez que a autorização para realizar apostas é válida apenas dentro do país.
Independentemente do canal escolhido, os interessados devem observar o prazo final de 31 de dezembro. Após as 22h, não será mais possível registrar apostas para a edição de 2026.
Inscrições poderão ser realizadas até 16 de dezembro; provas serão aplicadas em março de 2027
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Administração (SAD), divulgou em edição extra do Diário Oficial do Estado, o edital do concurso público para a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE). Ao todo, serão ofertadas 1.315 vagas, sendo 1.200 para o cargo de agente, 70 para escrivão e 45 para delegado. As inscrições poderão ser realizadas entre 15 de outubro e 16 de dezembro, no site do Cebraspe (www.cebraspe.org.br/), banca organizadora do certame. As provas serão aplicadas nos dias 7 e 14 de março de 2027, nos municípios do Recife, Arcoverde, Caruaru e Petrolina.
“A partir deste concurso público, elaborado pela Secretaria de Administração, novos agentes, escrivães e delegados qualificados contribuirão para a melhoria da segurança pública. Além deste certame, também lançamos os editais dos concursos públicos para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros e realizaremos concurso para a Polícia Penal”, enfatizou a secretária de Administração, Ana Maraíza.
O concurso para a PCPE contará com provas objetivas e discursivas, exame médico, avaliações de aptidão física e psicológica, além de investigação social. Para o cargo de delegado, também serão aplicadas prova oral e avaliação de títulos. Já os candidatos ao cargo de escrivão passarão por prova prática de digitação.
Na segunda etapa do certame, será realizado o Curso de Formação Profissional, sob responsabilidade da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS). O edital prevê reserva de vagas para pessoas com deficiência (5%), pessoas pretas e pardas (25%), indígenas (3%) e quilombolas (2%), conforme a distribuição e os critérios específicos de cada cargo.
POLÍCIA MILITAR E BOMBEIROS – O concurso público para a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) ofertará 1.250 vagas para soldado e 70 para oficial. Já para o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE), serão 510 vagas para soldado e 60 para oficial combatente. As inscrições para ambos os certames poderão ser realizadas de 5 de outubro a 5 de novembro, no site do Instituto AOCP (www.institutoaocp.org.br), banca organizadora dos concursos. As provas serão aplicadas nos dias 21 e 28 de fevereiro de 2027, nos municípios do Recife, Arcoverde, Caruaru e Petrolina.
Oportunidades estão distribuídas por cidades como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista e Juazeiro
Americanas abre 211 vagas temporárias para a Black Friday na Bahia; saiba como se candidatar Crédito: Divulgação
A Americanas abriu 211 vagas temporárias de emprego na Bahia para reforçar as equipes durante a Black Friday. As oportunidades estão distribuídas por cidades como Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Juazeiro, Lauro de Freitas, Itabuna e Ilhéus.
Em todo o Brasil, a companhia oferece mais de 3.700 postos temporários, sendo 3 mil para lojas físicas e 760 para a área de logística. A contratação busca ampliar a capacidade de atendimento durante o período de maior movimento no varejo.
Para as vagas nas lojas, o cargo disponível é o de operador de loja. Entre as atividades estão atendimento ao cliente, organização e reposição de mercadorias, operação de caixa, recebimento e conferência de produtos, além do apoio ao estoque.
Quem pode se candidatar?
Para participar da seleção, é necessário ter pelo menos 18 anos e ensino médio completo. A empresa não exige experiência profissional anterior, o que permite a participação de pessoas em busca do primeiro emprego ou de recolocação no mercado de trabalho.
Os contratados para as lojas físicas terão direito a vale-refeição, vale-transporte, seguro de vida e acesso à plataforma de educação corporativa Americanas Educa.
Como se inscrever
As inscrições para as vagas de operador de loja ficam abertas até 9 de novembro. Os interessados devem acessar o Portal de Carreiras da Americanas e consultar as oportunidades disponíveis.
A empresa também informou que havia vagas temporárias nos centros de distribuição para os cargos de operador de logística I, operador de logística II e auxiliar de logística. No entanto, o prazo de inscrição para essas funções terminou em 31 de outubro.
Com mais de 5 milhões de inscritos, exame começa em 8 de novembro; especialista da Kultivi dá dicas para organizar a revisão, controlar a ansiedade e evitar imprevistos nos dias de prova
Brasil, 2026 – Falta praticamente uma semana para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcado para 8 de novembro. Com 5.051.345 inscrições confirmadas em todo o país, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os candidatos entram na reta final de preparação para uma das principais portas de acesso ao ensino superior no Brasil. Nesse período, a recomendação é priorizar a revisão dos conteúdos já estudados, organizar a estratégia para responder às questões e cuidar da rotina para chegar ao exame com mais tranquilidade.
Julia Konofal, produtora de conteúdo da Kultivi, plataforma de educação gratuita e online, reúne cinco orientações para ajudar os estudantes a aproveitar os últimos dias antes da prova e evitar erros que podem comprometer o desempenho. Além de revisar os conteúdos, a especialista destaca a importância de planejar o tempo durante o exame, conferir os documentos necessários, manter uma rotina de sono adequada e preparar a alimentação para as horas de avaliação.
Troque o conteúdo novo pela revisão
Tentar aprender um assunto do zero pode gerar mais insegurança do que resultados. Com pouco tempo para aprofundar temas novos, o estudante corre o risco de aumentar a ansiedade e perder o foco nos conteúdos que já domina. A recomendação é aproveitar os últimos dias para reforçar o aprendizado e identificar pontos que ainda geram dúvidas.
Revisar resumos e mapas mentais, retomar fórmulas e conceitos importantes e resolver questões de edições anteriores do Enem são estratégias para consolidar o conhecimento e se familiarizar com o estilo das perguntas. Para a redação, vale rever a estrutura do texto dissertativo-argumentativo e selecionar repertórios socioculturais que possam ser relacionados a diferentes temas.
“Na reta final, é importante direcionar a energia para o que pode trazer mais segurança: revisar o que você já estudou, retomar os conteúdos que ainda geram dúvidas e praticar com questões anteriores. Tentar aprender tudo de última hora pode aumentar a ansiedade. O objetivo agora é consolidar o conhecimento e chegar à prova preparado para utilizá-lo”, orienta Julia.
Defina sua estratégia para os dias de prova
O Enem exige concentração por várias horas, e administrar bem o tempo faz parte da preparação. Por isso, vale decidir antecipadamente como começar a prova, quanto tempo reservar para cada etapa e em que momento preencher o cartão-resposta.
Uma estratégia possível é resolver primeiro as questões consideradas mais acessíveis, deixando as mais difíceis para uma segunda rodada. Dessa forma, o candidato evita gastar tempo excessivo em uma única pergunta e consegue avançar pelas demais. No primeiro dia, também é importante planejar o tempo dedicado à redação, incluindo a elaboração do texto e a revisão final.
O preenchimento do cartão-resposta merece atenção especial. Deixar essa tarefa para os minutos finais aumenta o risco de erros e de questões sem resposta registrada. O ideal é reservar um período específico para transferir as alternativas e conferir se todas foram marcadas corretamente.
“Ter uma estratégia ajuda a manter o controle do tempo e evita que o estudante fique preso a uma questão difícil. É importante saber quando seguir adiante e voltar depois, sem perder de vista o horário de encerramento. O planejamento deve considerar também o tempo para preencher o cartão-resposta com calma”, recomenda a especialista.
Prepare documentos, materiais e trajeto com antecedência
A organização para o dia do exame deve começar antes da véspera. O primeiro passo é acessar a Página do Participante e conferir o Cartão de Confirmação de Inscrição, que informa o endereço do local de prova, além da data e do horário. Embora não seja obrigatório, o Inep recomenda levar o cartão nos dias de aplicação.
Também é necessário separar um documento oficial de identificação com foto aceito pelo edital e uma caneta esferográfica de tinta preta fabricada em material transparente. Conferir as regras oficiais com antecedência ajuda a evitar dúvidas e contratempos na entrada.
Outro cuidado é planejar o deslocamento. Verifique o trajeto, estime o tempo necessário e considere possíveis congestionamentos ou atrasos no transporte. Se possível, conheça previamente o caminho até o local. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h, pelo horário de Brasília, e não há tolerância para atrasos. As provas começam às 13h30.
Cuide do sono durante toda a semana
Dormir bem contribui para a concentração, a memória e o raciocínio, habilidades fundamentais para enfrentar uma prova extensa. Por isso, o cuidado com o descanso deve fazer parte da rotina ao longo da semana, e não apenas na noite anterior ao exame.
Manter horários regulares para dormir e acordar ajuda a evitar o cansaço acumulado. Virar a noite estudando pode prejudicar a atenção e dificultar a recuperação das informações durante a prova. Nos dias que antecedem o Enem, a recomendação é reduzir o ritmo dos estudos à noite, diminuir o uso de telas antes de dormir e reservar um tempo para atividades relaxantes.
Na véspera, vale priorizar uma revisão leve, se necessário, e encerrar os estudos em um horário que permita descansar. A ideia é chegar ao local de prova com disposição física e mental para enfrentar as horas de avaliação. “Não adianta aproveitar a última noite para tentar recuperar todo o conteúdo que não foi estudado. O descanso também faz parte da preparação. Manter uma rotina de sono e evitar o cansaço excessivo ajuda o estudante a preservar a concentração e a raciocinar melhor durante a prova”, orienta Julia.
Leve lanches práticos para o dia da prova
Como o Enem dura várias horas, planejar a alimentação também pode ajudar o candidato a enfrentar o exame com mais conforto. Antes de sair de casa, a orientação é fazer uma refeição adequada e dar preferência a alimentos que já fazem parte da rotina, evitando experimentar algo novo que possa causar desconforto.
Para levar, vale escolher lanches fáceis de consumir e que não façam muita sujeira, como frutas, castanhas, amendoins, biscoitos simples e barras de proteína. Água também é importante para manter a hidratação durante a avaliação. Alimentos muito pesados ou gordurosos podem causar desconforto, por isso é melhor evitá-los antes e durante a prova.
É necessário observar as regras do edital para embalagens e garrafas, que podem ser verificadas pelos fiscais. A organização prévia facilita o consumo dos alimentos durante o exame e evita distrações desnecessárias. “Quando eu fiz o Enem, coloquei todos os alimentos em potes transparentes. Além de ser permitido, isso facilitou a minha alimentação enquanto eu fazia a prova”, finaliza Julia.
Presidente reeleito também garantiu que cumprirá as promessas feitas durante a campanha eleitoral e sinalizou a possibilidade de ampliar políticas sociais.
Presidenta Lula também anunciou que pretende voltar a percorrer o país para agradecer à população pela mobilização durante a campanha (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (1º), que nenhum programa social do governo federal será extinto durante seu novo mandato. Reeleito no último dia 25 de outubro, o petista também garantiu que cumprirá os compromissos assumidos durante a campanha presidencial, incluindo propostas nas áreas econômica e social.
“Nenhum programa social será extinto neste país”, declarou Lula em vídeo publicado nas redes sociais. O presidente também rebateu especulações sobre o possível encerramento de políticas públicas. “Não acredite nos mentirosos de sempre que vivem tentando vender desgraça e infelicidade para nosso povo”.
Além de assegurar a continuidade dos programas existentes, Lula sinalizou a possibilidade de criar novas iniciativas e aprimorar políticas públicas já implementadas pelo governo federal. O presidente reforçou que pretende colocar em prática as propostas apresentadas aos eleitores durante a disputa presidencial.
“Tudo aquilo que foi prometido na campanha, pode ficar certo que vai acontecer”, afirmou.
Promessas de campanha
Entre os compromissos anunciados durante a campanha está um pacote de medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), que prevê o perdão de dívidas tributárias e a ampliação do limite anual de faturamento para enquadramento na categoria.
Outras propostas incluem a criação do Pé-de-Meia Universitário, voltado ao incentivo à permanência de estudantes no ensino superior, e o Desenrola 3.0, nova versão do programa federal de renegociação de dívidas.
Na área da segurança pública, o governo também pretende avançar com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que redefine regras e competências relacionadas à atuação dos órgãos de segurança no país. A medida já estava em tramitação antes da eleição.
Impacto no Orçamento
A implementação das promessas, no entanto, deverá enfrentar desafios fiscais. Caso sejam colocadas em prática já no próximo ano, parte das medidas exigirá ajustes no Orçamento da União para 2027, diante da necessidade de acomodar novas despesas e eventuais impactos sobre a arrecadação federal.
As declarações ocorrem uma semana após a reeleição de Lula, que venceu o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro. O presidente também anunciou que pretende voltar a percorrer o país para agradecer à população pela mobilização durante a campanha.
Segundo Lula, a intenção é visitar todos os estados brasileiros após a disputa eleitoral.
Novembro é dedicado à conscientização e maior atenção para os cuidados com a saúde masculina. Número de óbitos em 2025 é 20% maior do que há dez anos
Quando diagnosticado na fase inicial, câncer de próstata tem 90% de chances de cura (PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL)
Cerca de 18,5 mil homens morreram no Brasil em 2025 vítimas do câncer de próstata. Isso equivale a 50 mortes por dia, segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
De acordo com a SBU, de 2017 até setembro deste ano, foram registradas mais de 160 mil mortes pela doença. E há uma tendência de alta. O número de óbitos em 2025, é 20% maior do que há dez anos (15,4 mil óbitos).
Neste ano, a previsão é de que mais de 77 mil novos casos do agravo sejam diagnosticados no país, fazendo com que esse seja o tipo de câncer mais comum entre os homens.
De acordo com a SBU, quando diagnosticada na fase inicial, a doença tem 90% de chances de cura. O problema é que, nessa fase, o paciente ainda não consegue perceber os sinais do câncer.
Apenas quando o tumor está em estágios mais avançados, costumam surgir sintomas como presença de sangue na urina ou no sêmen, aumento da frequência urinária, fluxo urinário fraco ou interrupções ao urinar, disfunção erétil e dores nos ossos.
“Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode levar a uma perda da chance de cura. Esperar sentir dor ou ter dificuldade para urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico”, alerta o presidente da SBU, Roni Carvalho Fernandes.
Neste mês, a SBU realiza a campanha Novembro Azul, que busca conscientizar a população masculina para os riscos desse tipo de tumor, o qual afeta a glândula responsável por produzir o líquido do sêmen que nutre e protege os espermatozoides.
“O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce também é uma atitude de homem”, explica.
Segundo ele, a SBU tem notado uma preocupação maior do homem com a saúde de seu aparelho urológico e reprodutor, nas últimas duas décadas.
“É uma mudança cultural importante. O homem, que antes nem queria ouvir falar de ir ao urologista, agora busca informações e agenda suas consultas com mais naturalidade. No entanto, o desafio continua gigante”, destaca.
A investigação é feita com dois exames de rotina: medição do nível de PSA (antígeno prostático específico) no plasma sanguíneo e avaliação do tamanho, forma e textura da próstata, através do exame de toque retal. O diagnóstico é feito por biópsia caso haja suspeita de tumor.
Novidades no tratamento
Em 2026, de acordo com a SBU, a cirurgia da próstata assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a realização de ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e crioblação.
O HIFU é um método pouco invasivo, que direciona ondas de ultrassom para o local exato do tumor. A grande quantidade de energia focada no ponto resulta na destruição do tecido canceroso.
Já a crioblação é feita através de agulhas muito finais que são inseridas no local do tumor e injetam um gás congelante, o que provoca a morte das células tumorais.
Robótica
A cirurgia de câncer de próstata por robótica é como se fosse uma cirurgia laparoscópica. O procedimento inclui portais que são colocados no abdomen ou no tórax do paciente, dependendo de onde será a cirurgia, por onde entram equipamentos chamados pinças. As pinças são acopladas aos braços robóticos que são manipulados ou coordenados pelo cirurgião, que se encontra sentado fora do acesso ao paciente, em um local chamado console. Contudo, sempre junto ao paciente tem outro cirurgião que auxilia no procedimento. A cirurgia robótica permite que o cirurgião tenha uma visão 3D ampliada e um controle mais preciso dos movimentos.
A cirurgia laparoscópica difere da cirurgia endoscópica, em que o equipamento (pinça) entra no paciente pela uretra, para raspagem da próstata, quando não há câncer no local. Almeida reafirmou que os pacientes com câncer de próstata localizado submetidos à cirurgia têm estimativa de cura, em tumores sem metástese, que chega até a 98% da doença.
Edital oferece 66 vagas imediatas e 118 para cadastro reserva, com remuneração inicial de R$ 32.070,88. Provas serão aplicadas em 17 de janeiro de 2027, e candidatos relatam desafios da preparação para a seleção
Ana Raquel, terceirizada na Câmara dos Deputados, vai fazer o concurso para o cargo de analista legislativo – (crédito: Ana Viana)
Ana Raquel Costa Geraldes Foscaches, 39 anos, trabalha há quase oito anos na Câmara dos Deputados como editora de livros e preparadora de originais das Edições Câmara. Dali saem livros voltados à preparação para os concursos da Casa, especialmente sobre o Regimento Interno, o Regimento Comum e o processo legislativo. Agora, é ela quem vai estudar para um deles. Terceirizada, Ana Raquel pretende disputar uma vaga de analista legislativo na especialidade de registro e redação, o antigo taquígrafo, para continuar no ambiente de que gosta, mas com outro vínculo. “O salário é, sem dúvida, um grande incentivo para estudar para o concurso”, afirma.
A diferença entre os dois vínculos aparece no contracheque e na rotina. Ana Raquel conta que exerce as mesmas atribuições que alguns servidores. Segundo ela, os salários e os benefícios dos terceirizados variam conforme o cargo, mas, em geral, são bem inferiores aos dos concursados. Ela cumpre as 40 horas semanais no prédio, enquanto os servidores podem dividir a semana entre 20 horas presenciais e 20 horas em teletrabalho. A estabilidade, lembra, só é garantida aos estatutários. “Com essa remuneração, eu teria mais tranquilidade financeira, poderia planejar melhor o futuro e teria mais condições de garantir uma aposentadoria confortável.”
A oportunidade veio com o Edital nº 1, publicado pela Câmara em 2 de outubro. São 66 vagas imediatas e 118 de cadastro reserva, em 11 especialidades de nível superior, com remuneração inicial de R$ 32.070,88, carga horária de 40 horas semanais e lotação em Brasília. Os servidores da Casa recebem, ainda, auxílio-alimen- tação de R$ 1.860,44, segundo o sindicato dos servidores do Legislativo federal (Sindilegis). As inscrições ficam abertas de 15 de outubro a 17 de novembro, com taxa de R$ 130, no site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca organizadora. Os pedidos de isenção podem ser feitos de 15 a 23 de outubro.
Léo van Holthe garante que há tempo para estudar(foto: Arquivo Pessoal)
As provas objetivas e a discursiva serão aplicadas no mesmo dia, 17 de janeiro de 2027, em 26 capitais e no Distrito Federal, e o resultado final está previsto para 30 de abril. São três meses e meio entre o edital e a prova, prazo maior do que o do concurso anterior da Casa, cujo edital saiu em 30 de dezembro de 2025 e cuja prova foi aplicada em 8 de março de 2026. Para Leo van Holthe, professor de direito do IMP Concursos, o tempo é suficiente para quem começar agora. “Quem fizer uma boa preparação nesses três meses e meio pode, sim, se considerar no páreo para essa prova”, afirmou, em material enviado ao Correio. Da taquigrafia à IA
Registro e redação é o nome atual da carreira conhecida como taquigrafia. Pelo edital, cabe a esses analistas registrar os discursos e os debates do Plenário e das comissões da Câmara e do Congresso, documentá-los oficialmente e elaborar sumários das intervenções realizadas nas sessões. É a especialidade com mais vagas, 25 imediatas e 25 de cadastro reserva, e a única que aceita diploma de graduação em qualquer área.
Para esse trabalho, o edital traz uma novidade. Nos conhecimentos específicos, ao lado de linguística, processo legislativo e ciência política, aparece a disciplina de reconhecimento de fala, transcrição e inteligência artificial. Ela cobra como funcionam os programas que convertem voz em texto, como esses sistemas identificam cada orador quando várias pessoas falam, a pontuação automática e as dificuldades das ferramentas com sotaques e com o vocabulário parlamentar do português brasileiro. O edital cita nominalmente Whisper, da OpenAI, Google Speech-to-Text, Azure Speech e AWS Transcribe.
Parte do conteúdo trata da divisão de tarefas entre a máquina e o servidor. O candidato precisa saber o que diferencia a transcrição automática da revisão humana e como funciona o fluxo em que a inteligência artificial produz a primeira versão do texto e uma pessoa a revisa, com critérios de qualidade e de fidelidade. Outros tópicos tratam da geração automática de atas e resumos de sessões, da busca em acervos parlamentares, da proteção de dados, dos direitos autorais e da ética no uso dessas ferramentas.
Segundo Leo, a seleção não terá a prova prática tradicional de apanhamento taquigráfico, na qual o candidato registra a fala em escrita abreviada.
Para o professor, um dos principais erros de quem disputa a vaga é concentrar os estudos apenas em linguística. “Também será importante saber Ciência Política e essa nova disciplina de Reconhecimento de Fala, além dos demais conhecimentos previstos no edital”, orienta.
O alerta vale para Ana Raquel, formada em letras pela Universidade de Brasília (UnB). Ela escolheu a especialidade porque as funções exigem domínio da língua portuguesa, compreensão textual, gramática e vocabulário. O maior desafio, conta, é o processo legislativo, “principalmente pela quantidade de detalhes” que precisa memorizar, apesar do fácil acesso ao material.
Maria Eduarda Ribeiro Braga, 24 anos, vai disputar a mesma especialidade com outra bagagem. Também formada em letras pela UnB e moradora de Águas Claras, ela se dedica hoje em tempo integral aos concursos. Estuda para eles desde novembro do ano passado e, para a Câmara, desde janeiro. Fez provas de analista legislativo e de policial legislativo, além das seleções da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) e da Funpresp-Jud. Linguística é o ponto forte. Regimento, ciência política e processo legislativo ela revisa a partir do que estudou para a prova de analista legislativo.
O que pede mais dedicação é informática. Para ela, a especialidade não é só uma porta aberta a qualquer diploma. “Sei que para muitas pessoas é apenas o único cargo que não tem restrição de formação, mas eu genuinamente tenho um apreço enorme pelas atribuições do cargo.” Quando pensa na aprovação, lembra primeiro dos pais: “o possível retorno financeiro que eu poderia dar aos meus pais, especialmente em relação a um plano de saúde de qualidade”
Onde estão as vagas
As outras 10 áreas do concurso exigem formação específica e registro no conselho profissional. Comunicação social, que reúne divulgação institucional, jornalismo e relações públicas, soma 20 vagas imediatas. Documentação e informação legislativa, nas áreas de arquivologia e biblioteconomia, tem 14; as quatro engenharias, seis; e museologia, uma.
O edital reserva 5% das vagas para pessoas com deficiência e 30% para candidatos negros, indígenas e quilombolas. Para distribuir as vagas de indígena e de quilombola entre as especialidades, a Câmara agrupou as vagas imediatas dessas 10 áreas e realizou um sorteio público em 8 de outubro. Segundo o edital de resultado provisório, publicado no mesmo dia, a vaga indígena ficou com jornalismo, e a quilombola, com divulgação institucional.
O edital traz outras duas regras que pesam na decisão do candidato. A primeira: os aprovados poderão ser nomeados pelo Senado Federal, a critério da Câmara, se aceitarem a convocação. Quem recusar mantém a classificação. A segunda: o servidor terá de permanecer por, no mínimo, três anos na unidade da primeira lotação. O concurso vale por um ano a partir da homologação do resultado, prazo que pode ser prorrogado uma vez, por igual período.
Como se preparar
No turno da manhã, o candidato terá cinco horas para resolver 180 itens de certo ou errado: 90 de conhecimentos básicos e 90 de conhecimentos específicos. À tarde, faz a discursiva em três horas.
Para a maioria das especialidades, a discursiva tem duas questões de até 20 linhas e uma peça técnica de até 50 linhas, e cada erro de português reduz a nota. Os engenheiros respondem a três questões. Só tem a discursiva corrigida quem fica entre os mais bem classificados nas objetivas: no registro e redação, os 62 primeiros de cada lista, a de ampla concorrência e as de cotas.
Os conhecimentos básicos são comuns a todos: língua portuguesa, língua inglesa, tecnologia da informação e dados, direito constitucional, direito administrativo, administração pública, Regimento Interno da Câmara e Regimento Comum do Congresso. “Para ser aprovado neste concurso, é preciso dominar o conteúdo e fazer uma excelente prova, dentro de uma perspectiva de equilíbrio entre todas as disciplinas”, diz Leo. A orientação dele é dedicar de 60% a 70% do tempo aos conhecimentos específicos, que também aparecem na discursiva, e o restante aos conhecimentos básicos, conforme a bagagem de cada candidato.
Quem disputa comunicação social corre o mesmo risco de estudar apenas a própria área. O domínio da comunicação é necessário, mas não suficiente, segundo Leo, porque a prova também cobra ciência política e processo legislativo. “Não adianta ser apenas bom no conteúdo específico de Comunicação Social. O candidato também vai ter que dominar outros temas para se diferenciar dos demais.” Para ele, a recompensa é cobrir o poder por dentro. “O comunicador vai estar cobrindo o Congresso Nacional com uma vantagem em relação a quem cobre de fora, com acesso direto a parlamentares. Luis Henrique: doutrina e jurisprudência são cobradas(foto: Gui Carsan)Luís Henrique de Morais Alves, 31 anos, analista legislativo da Câmara e professor do QConcursos, chegou à Casa após cinco anos de estudo. Na vez dele, a base não era o problema. “O maior desafio foi a profundidade. O nível de cobrança de uma prova desse porte é outro”, lembra. Ele chama a atenção para a cobrança de doutrina e jurisprudência em todas as disciplinas.
“Decorar lei e termos ajuda? Ajuda, mas não basta. O candidato precisa entender como a banca pensa, e isso só vem com muitas questões. Muitas mesmo.
Entender como a banca pensa começa pela regra de correção: na prova objetiva, cada resposta errada anula uma certa. Segundo Thiago Medeiros, professor do IMP Concursos, o Cebraspe trabalha com alterações sutis de palavras, inversões de lógica e generalizações, e, muitas vezes, uma única expressão torna o item errado. Por isso, a dúvida entre arriscar e deixar em branco pesa tanto.
Luís resolve essa dúvida com uma régua pessoal. Nos treinos com questões da banca, o candidato descobre a própria taxa de acerto. No dia da prova, responde primeiro aos itens de que tem certeza e confere quantos marcou. Quem acerta, em média, 80% nos treinos e, só com as certezas, marca cerca de 80% dos itens deve parar. Quem marca 70% pode avançar nos itens de dúvida razoável até se aproximar de 80%. A tese de que a banca divide os itens meio a meio entre certos e errados não convence Luís.
“Pode ser, mas não gosto de chute. A análise estatística do próprio desempenho é mais segura.” Maria Eduarda pensa diferente. “Vou arriscar. Dependendo da situação da questão, tem vezes que é possível fazer um chute embasado.”
Com o edital publicado, Luís recomenda organizar a rotina an tes de começar as matérias. “Os aprovados que acompanhei sabiam exatamente o que fazer na semana em que o edital saiu”, diz. O custo da fase, admite, é real. “Noites mal dormidas, irritação, tempo longe da família. Faz parte, e quem está nessa fase precisa saber que isso passa.” Leo segue a mesma linha: o candidato não deve esperar dominar todo o conteúdo para começar, e, sim, identificar os pontos fortes e fracos e manter uma rotina constante.
O Brasil precisa ampliar as pontes, inclusive com republicanos, sem transformar o relacionamento bilateral numa extensão da disputa partidária americana
Donald Trump não está na cédula das eleições norte-americanas de hoje, mas seu governo está em julgamento. Os dois principais cenários desenhados pelas pesquisas representam derrotas políticas para a Casa Branca: perder a Câmara dos Representantes ou entregar também o Senado aos democratas. O segundo seria o pior dos mundos. A expressão “pato manco”, usada para definir presidentes em fim de mandato e com influência declinante, ganharia conteúdo imediato. Trump conservaria poderes importantes, mas encontraria obstáculos para transformar suas decisões em políticas duradouras.
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É preciso, porém, distinguir o favoritismo da sentença das urnas. As pesquisas finais do The New York Times/Siena mostram democratas numericamente à frente nos sete estados considerados decisivos para o Senado, inclusive Texas e Kansas, tradicionais fortalezas republicanas. O próprio instituto adverte que a maioria permanece em disputa. Há precedentes de subestimação do voto trumpista, cujos eleitores resistem mais a responder aos pesquisadores. O tamanho da onda azul dependerá de quem efetivamente for às urnas.
Custo de vida, combustíveis, insegurança econômica e os gastos da guerra no Irã formam o coquetel que corrói a promessa de prosperidade de Trump. A repressão migratória também tem efeitos colaterais: parte dos eleitores que apoiou o controle da fronteira rejeita operações que atingem trabalhadores, desorganizam famílias e retiram mão de obra das empresas. Entre os hispânicos, protagonistas do avanço republicano em 2024, há uma espécie de mea culpa.
Trump e Barack Obama protagonizam os polos nacionais desse confronto, embora o Partido Democrata reúna lideranças e correntes diversas. O presidente tenta converter a votação numa prova de fidelidade pessoal. O ex-presidente mobiliza a oposição para transformar o descontentamento em participação. Nos distritos e estados competitivos, entretanto, a disputa exige candidatos capazes de dialogar com valores religiosos e comunidades locais, cujas preocupações materiais podem atravessar fronteiras que pareciam intransponíveis.
É nesse ambiente que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva adquire significado internacional. A derrota de Flávio Bolsonaro frustrou a possibilidade de um alinhamento do maior país sul-americano com o projeto de poder associado a Trump. Nesse sentido, está sendo interpretada pela opinião pública mundial como uma derrota política do presidente norte-americano. Preserva a presença de um Brasil como uma das âncoras dos BRICS, empenhado em manter autonomia diplomática e interlocução com diferentes centros de poder. Uma vitória bolsonarista seria disruptiva do ponto de vista da política externa brasileira.
Pragmatismo
Na Europa, a vitória de Lula ofereceu às esquerdas uma referência para enfrentar a sensação de inevitabilidade do avanço da extrema-direita. Seu valor é político e simbólico, pois mostra que mobilização social, alianças amplas e defesa das instituições podem produzir uma vitória do campo da democracia. Isso não significa que o eleitorado europeu reproduzirá o brasileiro, nem que protestos e campanhas tenham passado a obedecer a um impulso vindo de Brasília. Cada país tem seus próprios conflitos.
A derrota de Flávio, que está nos Estados Unidos, também favorece aos democratas norte-americanos. Defender a democracia exige respostas às condições de vida que alimentam a insatisfação popular. Quando a política perde contato com emprego, renda, preços e segurança, deixa um espaço que os adversários ocupam. A experiência brasileira foi uma combinação de defesa institucional e compromisso social. Essa não uma receita exportável, mas enfraquece a ideia de que a onda conservadora seja um destino.
O México ocupa posição particular nessa equação. A integração econômica com os Estados Unidos convive com pressões sobre imigração, segurança e comércio. A relação de “morde e assopra” decorre dessa interdependência: Washington ameaça, mas também precisa negociar. Para mexicanos e brasileiros, uma eventual derrota republicana pode ampliar os interlocutores no Congresso e criar obstáculos a iniciativas coercitivas. Não elimina, contudo, os instrumentos de pressão da Casa Branca nem dissolve interesses nacionais conflitantes.
Para Lula, um Trump enfraquecido oferece oportunidades e riscos. Uma Câmara democrata ampliaria a fiscalização, a perda do Senado dificultaria nomeações e elevaria o custo político de iniciativas do governo. Mas o presidente conservaria o veto e instrumentos executivos relevantes. Pressionado internamente, poderia procurar compensações na política externa e na sua nova doutrina de defesa nacional. O Brasil precisa ampliar as pontes, inclusive com republicanos, sem transformar o relacionamento bilateral numa extensão da disputa partidária americana.
O fato é que a vitória brasileira e uma possível onda azul nos Estados Unidos podem marcar limites à projeção internacional de Trump, ancorada no seu poder militar e tecnológico. É precipitado anunciar seu esgotamento, diante da força de intervenção que ainda deterá. O Brasil precisa combinar firmeza na soberania, cautela diante das provocações e perseverança diplomática. Com Trump derrotado nas urnas, administrar as relações com os Estados Unidos não comporta soberba e continuará exigindo pragmatismo.
Obras ajudam futuros universitários a aprimorar a escrita, organizar os estudos e desenvolver habilidades para a vida acadêmica
Com a proximidade do Enem e de importantes vestibulares, estudantes do ensino médio começam a planejar os próximos passos da formação. Para quem pretende ingressar na universidade em 2027, a preparação não termina com as provas: desenvolver autonomia, aprender a organizar a rotina e dominar a escrita acadêmica também faz parte da transição para o ensino superior.
Pensando nesse período, a Minha Biblioteca, plataforma de livros digitais, selecionou cinco obras que abordam competências para os futuros universitários. Mais do que revisar conteúdos, a leitura pode ampliar o repertório dos estudantes e ajudá-los a desenvolver competências importantes para acompanhar a graduação.
“A transição para o ensino superior exige autonomia do estudante para gerir o tempo, pesquisar e comunicar ideias com clareza. O contacto com novos temas estimula o pensamento crítico, e a leitura é uma aliada fundamental para tornar essa jornada mais consciente e proveitosa”,destaca Adriano Girelli, Gerente de acervo da MB.
Confira os títulos recomendados:
A gramática para o ensino superior, de Fernando Pestana
A escrita clara e correta é fundamental em diferentes cursos de graduação. O livro revisa regras gramaticais e aspectos da norma-padrão, contribuindo para a produção de textos formais, respostas dissertativas, relatórios e trabalhos acadêmicos.
Letramento acadêmico: prática de pesquisa e produção textual na universidade, de Luana Lopes Amaral, Daniervelin Pereira, Raquel Abreu-Aoki e Carla Viana Coscarelli
A obra apresenta os principais gêneros textuais utilizados no ambiente universitário e explica como o conhecimento científico é produzido e divulgado. É uma leitura indicada para quem deseja se familiarizar com pesquisas, trabalhos acadêmicos e diferentes formas de apresentar ideias.
Você sabe estudar? Quem sabe, estuda menos e aprende mais, de Claudio de Moura Castro
Com orientações sobre estudo ativo, memória, concentração e gestão do tempo, o livro mostra como tornar a aprendizagem mais eficiente. Também aborda a elaboração de resumos, anotações e mapas mentais, além de cuidados para identificar informações confiáveis.
A matemática em memes: uma forma inusitada de estudar matemática, de Maurício Zahn
O autor utiliza memes para explorar conceitos matemáticos de maneira leve e acessível. A proposta percorre conteúdos da educação básica ao ensino superior e pode ajudar estudantes a retomar conhecimentos, enxergar aplicações da disciplina e desenvolver o raciocínio lógico.
Escolhas: uma visão realista, de Pedro de Medeiros
A transição para a vida universitária envolve decisões sobre carreira, dinheiro, relacionamentos e projetos pessoais. A partir de reflexões filosóficas e exemplos do cotidiano, o livro propõe uma análise dos fatores que influenciam as escolhas e incentiva decisões mais conscientes.
Os títulos fazem parte do catálogo da Minha Biblioteca. A disponibilidade depende do acervo contratado pela instituição de ensino, e o acesso é realizado pela plataforma mediante vínculo com uma instituição participante.
Sobre a Minha Biblioteca
A Minha Biblioteca (MB) tem experiência em atender ao mercado educacional e faz parte da jornada de sucesso de milhares de estudantes. Oferecemos uma plataforma integrada de conteúdo que cumpre com excelência as exigências do MEC, além de apoiar as IES na gestão de recursos educacionais. Como fazemos isso? Com tecnologia, inovação, suporte acadêmico e um acervo de livros digitais amplo e qualificado. Para mais informações, acesse: https://minhabiblioteca.com.br/
O Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) prorrogou até o dia 5 de novembro as inscrições para o Processo Seletivo 2027, que oferece 1.632 vagas gratuitas em cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, subsequentes e de Educação de Jovens e Adultos (Proeja e Proeja FIC). O prazo, que terminaria nesta sexta-feira (30), foi ampliado por meio da Retificação nº 02 dos Editais nº 114, 115 e 125/2026. As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas exclusivamente pela internet, por meio da Plataforma Seletar Concursos (https://inscricoes.seletar.com.br).
Com a prorrogação, os candidatos também terão até 5 de novembro para enviar o histórico escolar ou declaração de notas e, quando necessário, os documentos comprobatórios exigidos para concorrer às vagas reservadas. O envio deve ser feito pela área do candidato na plataforma de inscrições, conforme as orientações previstas nos editais.
Além da ampliação do prazo de inscrições, a retificação atualiza o cronograma das demais etapas do processo seletivo, incluindo a divulgação dos resultados preliminares, os períodos para apresentação de recursos e os resultados das análises de documentação. A data prevista para divulgação do resultado final permanece 15 de dezembro de 2026, com início das matrículas em janeiro de 2027.
Cursos e vagas
As 1.632 vagas estão distribuídas entre os campi Floresta, Ouricuri, Petrolina, Petrolina Zona Rural, Salgueiro, Santa Maria da Boa Vista e Serra Talhada. A seleção não terá prova e será realizada a partir da análise do histórico escolar ou documento equivalente, considerando as notas de Língua Portuguesa e Matemática, conforme os critérios de cada modalidade.
Do total de vagas, 1.064 são destinadas aos cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, voltados a estudantes que estão concluindo o 9.º ano ou já concluíram o Ensino Fundamental. Outras 424 vagas são para cursos técnicos subsequentes, destinados a quem já concluiu ou está concluindo o Ensino Médio. Há ainda 144 vagas para a Educação de Jovens e Adultos, distribuídas entre os campi Floresta e Petrolina, nas modalidades Proeja e Proeja FIC.
Para facilitar a participação dos interessados, o IFSertãoPE também disponibilizou um Edital em Linguagem Simples, que reúne, em poucas páginas e com uma linguagem mais direta e acessível, as principais informações sobre inscrições, cursos, vagas, documentos necessários, cotas, critérios de classificação e demais etapas do processo seletivo.
Novo cronograma
De acordo com a segunda retificação dos editais, o resultado preliminar da análise do histórico escolar e da comprovação de vínculo com escola pública será divulgado em 16 de novembro. Os candidatos poderão apresentar recursos nos dias 17 e 18 de novembro, com resultado previsto para 25 de novembro.
Já os resultados preliminares das análises de renda, da condição de candidatos pretos, pardos, indígenas e quilombolas e de pessoas com deficiência serão divulgados em 2 de dezembro. O prazo para apresentação de recursos será nos dias 3 e 4 de dezembro, com resultados previstos para 10 de dezembro.
O resultado final do Processo Seletivo 2027 será divulgado em 15 de dezembro, e as matrículas terão início em janeiro de 2027. Os candidatos devem acompanhar as publicações nos canais oficiais do IFSertãoPE e consultar a retificação para conferir todas as alterações do cronograma.
Edital nº 114/2026 – Cursos técnicos integrados ao Ensino Médio
Evento ocorre no auditório da Biblioteca da Univasf, com foco na integralidade, segurança e humanização do atendimento hospitalar
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf/HU Brasil) promove, nos dias 5 e 6 de novembro de 2026, o 1º Simpósio de Integração Multiprofissional, Ensino e Gestão do Cuidado em Saúde. Proposto pela Divisão de Gestão do Cuidado e Apoio Diagnóstico e Terapêutico, o evento tem como objetivo geral promover a integração multiprofissional e o compartilhamento de conhecimentos, experiências e práticas de cuidado em saúde.
A iniciativa busca fortalecer a articulação entre assistência, ensino, pesquisa e gestão no contexto do hospital universitário, priorizando a integralidade, a segurança, a qualidade e a humanização do cuidado.
Programação e atividades
O simpósio será realizado de forma presencial no auditório da Biblioteca da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina-PE, contando com 150 vagas disponíveis para profissionais de saúde, residentes, estudantes de graduação e pós-graduação, docentes, preceptores e demais envolvidos nas áreas de assistência, ensino, pesquisa e gestão.
05 de novembro (quinta-feira):
8h às 18h: Minicursos práticos e teóricos realizados nas salas NT-03, 24, 26 e 27, abordando temas como determinantes sociais em saúde, terapia nutricional, atuação integrada em fonoaudiologia e fisioterapia, posicionamento funcional no leito, gases medicinais e tratamento de feridas.
18h às 20h: Credenciamento, mesa de abertura institucional e a palestra magna com o tema “Desafios relacionados à formação e ao cuidado em um hospital universitário submetido à elevada pressão assistencial”, ministrada por Aristóteles Cardona (representante do MEC).
06 de novembro (sexta-feira):
8h30 às 18h: Programação científica com mesas-redondas sobre alta demanda hospitalar, apresentação de livro institucional na área de psicologia e saúde mental, o papel do ensino, pesquisa e residência multiprofissional, atendimento ao paciente politraumatizado e o cuidado ao paciente crônico e de alta complexidade.
Metodologia e objetivos
Com uma metodologia focada na interprofissionalidade e na problematização da prática, o evento aproxima as dimensões assistencial, acadêmica e gerencial. Entre os principais objetivos específicos do simpósio destacam-se a valorização das diferentes profissões de saúde na construção do cuidado centrado no paciente, a discussão de estratégias para a gestão de cenários com elevada demanda assistencial e o fortalecimento do HU-Univasf como polo de formação e inovação.
As inscrições podem ser realizadas por meio do link oficial divulgado na programação do evento: https://abre.ai/simposiomulti
Nas eleições de meio de mandato desta terça, oposição democrata pode conquistar controle do Congresso americano e promover maior escrutínio sobre a agenda de Trump para a América Latina.
A votação antecipada para as eleições de meio de mandato do próximo mês já começou em vários estados dos Estados Unidos – (crédito: Reuters)
Nesta terça-feira (03/11), nove dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma nova votação será crucial para determinar o futuro das relações do Brasil com seu principal parceiro nas Américas: as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O pleito vai definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de 39 governadores de Estados e territórios e diversos outros cargos estaduais e locais.
Pesquisas de intenção de voto indicam que a oposição democrata tem chances de conquistar maioria na Câmara e, talvez, até no Senado, no que vem sendo descrito como uma “onda azul” (em referência à cor associada ao Partido Democrata).
Isso representaria uma mudança no cenário político dos EUA, onde atualmente o Partido Republicano, do presidente Donald Trump, controla não apenas o Executivo, mas também as duas Casas do Legislativo, o que permitiu avançar sua agenda sem grande resistência.
Essa agenda inclui desde tarifas a produtos importados de diversos países, entre eles o Brasil, até uma guerra no Irã e ações militares na América Latina, onde o governo Trump tem o objetivo declarado de “restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental”.
Relações EUA-Brasil
Desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a relação com o Brasil atravessa um período de tensão. Trump impôs um “tarifaço” sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades em resposta ao que descreveu como “perseguição” sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro (PL), o adversário de Lula nesta eleição.
A própria embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, está com o visto revogado desde agosto. Ela continua autorizada a atuar no país, mas caso deixe os EUA, precisaria de novo visto para entrar novamente em território americano.
Durante a campanha, Lula criticou as medidas americanas e apostou no discurso de defesa da soberania.
Diferentemente do que fez em disputas em outros países da América Latina, Trump não se manifestou publicamente em favor de nenhum dos candidatos no Brasil.
Mas uma vitória de Flávio, aliado ideológico do republicano, representaria a consolidação da influência de Trump na região, em meio a uma onda de líderes de direita eleitos recentemente. Também havia a expectativa de que Flávio adotasse uma política externa mais alinhada à dos EUA.
Lula terá o desafio de superar os atritos diplomáticos com os EUA. Mas o presidente brasileiro poderá iniciar o quarto mandato diante de um Trump enfraquecido e, possivelmente, um Congresso americano disposto a exercer maior escrutínio sobre a agenda do republicano para a América Latina.
“Lula sempre foi muito pragmático nas suas relações com os EUA”, diz à BBC News Brasil o historiador Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade Temple, na Filadélfia.
“Embora tenha utilizado o discurso da soberania como instrumento eleitoral, jamais se furtou de manter aberta a busca por relações através de canais institucionais, bilaterais, com os EUA”, observa.
Popularidade em queda
Trump tem pedido aos eleitores que “finjam” que seu nome “está na cédula”. Mas as eleições de novembro ocorrem em um momento em que o presidente enfrenta queda acentuada de popularidade, com aprovação de apenas 31% segundo pesquisa recente.
Os americanos estão preocupados com o custo de vida, a inflação e os altos preços dos combustíveis, agravados pela decisão dos EUA de atacar o Irã, em fevereiro. Segundo pesquisas, menos de 30% aprovam a maneira como Trump conduz a economia.
O avanço da Inteligência Artificial e de data centers, e seus impactos ambientais e nos custos de energia, também geram insatisfação. A atuação do governo em relação à imigração e alegações de corrupção são outros motivos de descontentamento.
Pesquisas mostram perda de apoio inclusive entre grupos demográficos que impulsionaram seu retorno à Casa Branca, como jovens e eleitores de origem hispânica.
Diante desse cenário, muitos candidatos do seu próprio partido vêm tentando se distanciar de Trump, enquanto democratas têm conseguido avançar em Estados tradicionalmente favoráveis aos republicanos.
Historicamente, o partido na oposição costuma se sair bem nas eleições de meio de mandato. Isso ocorreu várias vezes nos últimos anos, incluindo em 2022, na metade do governo do democrata Joe Biden, quando os republicanos reconquistaram a Câmara.
Analistas acreditam que, neste novembro, os democratas têm boas chances de conquistar maioria na Câmara. Uma pesquisa nacional do jornal The New York Times e da Siena University, divulgada em 21/10, mostra os democratas com 11 pontos percentuais de vantagem.
No Senado, onde os republicanos têm 53 cadeiras e os democratas 45 (além do apoio de dois senadores independentes), a disputa é mais difícil. Das 35 vagas em jogo, 22 são ocupadas por republicanos, e 13 por democratas, que precisariam virar quatro cadeiras adicionais para conquistar a maioria.
Marco Rubio
Caso as pesquisas se confirmem e os democratas realmente assumam o comando de uma ou ambas as Casas, terão mais poder para fiscalizar e contestar a agenda de Trump. Também representariam um interlocutor importante para o Brasil.
Martins lembra que um fator importante no contexto interno nos EUA é a presença de Marco Rubio no comando do Departamento de Estado, responsável pelas relações exteriores do país. Rubio lidera uma ala considerada mais ideológica e alinhada à direita, que disputa com outro grupo, mais pragmático, a atenção de Trump quando o tema é a relação com o Brasil.
“Rubio tem aspirações presidenciais, é uma espécie de pré-candidato republicano”, diz Martins.
“Se os democratas assumirem o controle de ambas as Casas e, consequentemente, dos comitês (no Legislativo), vão fazer uma oposição especificamente na política externa, porque ali está um potencial adversário (para a eleição presidencial de 2028).”
“Consequentemente, a América Latina vai se impor como uma agenda dessa oposição democrata exatamente porque, para Rubio, a América Latina sob domínio americano é uma tarefa específica dele, delegada diretamente pelo presidente dos EUA”, afirma Martins.
Segundo o historiador, em um contexto em que Trump e Rubio estejam enfraquecidos, a América Latina deve perder peso como prioridade do governo.
“A conquista da maioria na Câmara pelos democratas significaria mais audiências nas comissões parlamentares e, possivelmente, investigações organizadas pelo Congresso”, diz à BBC News Brasil o cientista político Michael Traugott, professor emérito da Universidade de Michigan.
“Não está claro qual será o efeito dessas iniciativas, porque Trump tende a ignorar qualquer questionamento de suas políticas. Mas haverá mais informação pública, incluindo detalhes e custos de políticas específicas. E acho que o Congresso tentará impor limites orçamentários a muitas delas.”
Segundo a Constituição americana, o Legislativo tem prerrogativa de regular o comércio exterior e aplicar tarifas. Se os democratas retomarem a maioria, devem se debruçar sobre as taxas impostas por Trump e seu impacto na economia dos EUA.
Trump usou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor taxas a produtos de diversos países, entre eles o Brasil. Quando a Suprema Corte derrubou o uso dessa lei, o presidente recorreu a outras bases legais para manter sua política tarifária.
“Uma maioria democrata na Câmara vai ter muito mais capacidade de fiscalizar o Executivo”, diz à BBC News Brasil a consultora Kristina Rosales, especialista em relações comerciais entre Brasil e EUA e ex-porta-voz do Departamento de Estado americano.
No entanto, ela observa que, caso se sinta pressionado, o presidente poderia recorrer a mais instrumentos executivos para levar adiante sua agenda. “No caso da política tarifária, acho que seria um cenário complicado de negociação”, afirma.
Força militar na América Latina
Um Congresso dominado pelos democratas também poderia examinar com maior rigor a maneira como Trump tem abordado sua política para a América Latina sob a ótica da segurança. Um dos focos da estratégia para a região é o combate ao narcotráfico e ao crime organizado, e vários países já permitiram ações militares conjuntas em seus territórios.
Desde o ano passado, os EUA designaram mais de 20 cartéis e grupos criminosos da América Latina como Organizações Terroristas Estrangeiras, entre eles as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Essa classificação, apoiada por Flávio Bolsonaro, contrariou o governo do presidente Lula. Há o temor de que os EUA usem o pretexto de combate ao crime organizado para implementar uma agenda mais ampla na América Latina, em meio a propostas de militarização na região.
No início do ano, o governo Trump lançou o chamado Escudo das Américas, uma aliança regional integrada por 15 países, a maioria com líderes de direita aliados do republicano, para ampliar a cooperação, a segurança e o combate ao narcotráfico na América Latina. O Brasil não faz parte.
A Constituição dos EUA garante ao Congresso a prerrogativa de declarar guerra. Com a maioria, os democratas ganhariam ainda o comando de comitês poderosos, como o de Serviços Armados, responsável pela supervisão das Forças Armadas.
São esperadas audiências e investigações sobre episódios como os ataques militares contra pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico. Mais de 200 pessoas foram mortas sob a alegação, sem evidências, de que eram “narcoterroristas” transportando drogas para os EUA.
Também estaria na mira a política americana na Venezuela, onde uma operação militar em janeiro deste ano atacou Caracas para capturar o presidente Nicolás Maduro, levado aos EUA e indiciado por uma série de acusações de narcotráfico. Um dos alvos de investigações poderia ser a gestão das receitas de petróleo.
No caso específico do Senado, uma maioria democrata poderia barrar indicações de Trump para diversos cargos do gabinete, embaixadores e membros do Judiciário, inclusive eventuais vagas na Suprema Corte.
A maioria no Congresso também garantiria controle sobre o orçamento e maior poder para conduzir investigações de eventuais abusos de poder do presidente, inclusive com a abertura de processos de impeachment.
Transição pós-Trump
Mas mesmo que a oposição domine o Legislativo, ainda enfrentará limitações. Trump mantém seu poder de vetar projetos aprovados pelos democratas e já afirmou que, caso os republicanos percam o controle do Congresso, pretende barrar as propostas da oposição.
Apesar de o partido majoritário liderar comitês na Câmara e no Senado responsáveis por conduzir investigações, Trump poderia se recusar a cumprir intimações e atrasar o processo até o fim de seu mandato, bloqueando na prática os esforços de fiscalização.
No entanto, uma maioria democrata dificultaria os dois anos finais de sua Presidência. A Constituição americana impede o presidente de buscar um terceiro mandato, e os EUA se preparam para um período de transição pós-Trump.
A votação antecipada para as eleições de meio de mandato do próximo mês já começou em vários estados dos Estados Unidos
“Qualquer presidente em seu segundo mandato torna-se um lame duck após as eleições legislativas de meio de mandato”, ressalta Traugott.
Essa expressão, traduzida como “pato manco”, é usada na política americana para descrever o período de fim de mandato, quando o presidente que vai ser sucedido costuma ter influência reduzida.
“Não sabemos quais serão as consequências de Trump se tornar um ‘lame duck’, porque ele não dá muita atenção ao Congresso, prefere recorrer a decretos presidenciais”, diz Traugott. “E não há motivo para acreditar que ele vá reduzir o uso de decretos presidenciais.”
Para Rosales, o possível novo cenário em Washington, no contexto de Trump enfraquecido, representa uma oportunidade, mas também riscos para o governo brasileiro.
“O governo Lula terá de procurar uma melhor relação com o governo Trump, mas ao mesmo tempo também construir pontes e uma relação com novos atores que vão estar se preparando para 2028”,afirma.
“A relação bilateral vai ter que ser construída com várias instituições em mente, levando em conta que o ciclo está mudando nos EUA”, observa Rosales.